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altA educação escolar de crianças com necessidades especiais
não é recente, na década de 70 as chamadas “escolas alternativas”
faziam o papel de acolher essas crianças. Mas no início da década de 90, surgiu
nos Estados Unidos um movimento que propunha a inclusão de todas as crianças
com necessidades especiais em escolas regulares.

 Após a Conferência
Mundial de Necessidades Educativas Especiais, na Espanha, em 1994, o discurso
da inclusão tomou proporções internacionais, entre os países que incorporaram
esse discurso foi o Brasil.

Esse discurso propõe algo necessário, seria que todas as
crianças independentes das suas condições tenham direito a escolarização de
qualidade e inserção no grupo social, mas por outro lado como definir esse
processo? Como deve se dar essa educação inclusiva?Como incluir crianças com
particularidades que pouco se conhece ainda, exemplo das crianças com autismo
ou distúrbios psicóticos?

Em uma conversa sobre a inclusão com um grupo de professoras
da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, umas dessas professoras nos conta as
suas experiências pedagógicas com crianças com necessidades especiais. Para
algumas delas, disse a professora, as classes especiais ou integradas eram
condição para estar na escola, um meio de se tornarem visíveis. Para outras,
essas classes foram dispositivos que promoveram a segregação e acentuaram a
condição de inexistência. O mesmo se poderia dizer das salas regulares. “O que
a minha experiência mostra e eu defendo”, disse a professora, “é que não há um
modelo a ser seguido.” E concluiu: “Por isso, sou contra a inclusão”.
Finalmente, movida por certo desconforto decorrente de seu posicionamento,
acrescentou que, óbvio, não defendia a exclusão.

Para a psicóloga e psicanalista, Ana Elizabeth Cavalcanti: a
fala dessa professora explicita o que incomoda no discurso da inclusão: ele
tornou-se um discurso hegemônico e ideológico. Ou seja, o que é uma entre
várias possibilidades de pensar a educação para todos tornou-se A forma, aquela
que anuncia uma verdade única e indiscutível. O fato de a professora sentir-se
obrigada a justificar que não era defensora da exclusão evidencia o efeito do
modo maniqueísta de pensar presente nesse discurso: quem não está comigo, que
represento o bem, está contra mim e com o mal. Ou seja, não aderir ao discurso
da inclusão implica defender a exclusão. E aqueles que não aderem passam a
fazer parte de uma extensa lista de excluídos – composta de professores,
diretores de escolas, pais e dos próprios alunos com necessidades especiais,
como os surdos, por exemplo –, tachados de resistentes, preconceituosos e
segregacionistas, diz Ana.

Na educação de qualidade os termos inclusão/exclusão não
ajudam, a idéia de pensar em uma escola diversa e plural deve substituir o
modelo inclusivo. “Elas [escolas diversas e plurais] poderiam ser uma
espécie de antídoto contra a atração fatal de homogeneizar o que é diverso por
condição, fala Ana Elizabeth.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

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